terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Um pouco de poesia...

Amar

Florbela Espanca

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui…além…
Mais este e aquele, o outro e toda a gente….
Amar!Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar.

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… pra me encontrar…

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Amar, desamar e então amar novamente

A maioria das pessoas que conheço sabe bem quem é, do que gosta e do que não gosta, o que quer e o que não quer... Seus sonhos, seus medos... Tudo parece que lhes é claro como um céu de primavera. Para mim, no entanto, esse céu sempre tem muitas nuvens, muitas surpresas, tempestades... e o caminho sempre turbulento.
Amar, desamar e então amar novamente.
Odiar e odiar menos... Querer e desprezar... Gostar e desgostar...
Amar e odiar? Depende da turbulência do caminho.
Quanto tempo dura um sonho?
Até que se realize ou até que caia no esquecimento?
Quanto tempo dura um objetivo?
Será que esse é o limiar entre a razão e a loucura?

domingo, 21 de novembro de 2010

Girl, interrupted

Um belo dia, trocando de canal me deparo com um filme que sempre quis assistir: Garota, Interrompida. Sabia que se passava num hospício, mas não sabia que a "garota" em questão sofria de transtorno de personalidade.
Assisti ansiosa cada cena, cada dia que ela passava naquele hospital e observei como parecia não melhorar nada, não mudar nada. Até que o suicídio de uma das colegas a faz perceber o que é preciso fazer para melhorar e sair dali.
Ironicamente, ela não achava que era louca ou que estivesse fazendo algo de errado. Não estava apenas fazendo algo transgressor para a época? Não estariam os outros querendo moldá-la com o molde do ser humano hipócrita e moralista? Ela apenas não aceitava agir como um robô programado... Ela era espontânea, tinha energia transbordando de dentro de si e era inteligente o suficiente para poder pensar com sua própria cabeça. Mas o mundo não estava preparado para recebê-la. Então, percebeu que se quisesse sair daquele lugar teria que dançar conforme a música. Dizer o que queriam ouvir, fazer as coisas certas na horas certas, agir de acordo com o protocolo e então reconquistar a sua liberdade.
Reconquistou a liberdade, entretanto jamais conseguiu compreender se reconquistara a tal sanidade que considerava nunca ter perdido.

Me identifiquei de tal forma com o filme que imediatamente comprei o livro...
Como ela eu nunca me entendi como uma pessoa louca... Sempre achei que era transgressora e as pessoas não eram capazes de me compreender presas em seus mundinhos estreitos e sufocantes. Ao contrário delas, eu era livre. Era livre pra pensar e agir como quisesse.
Como Suzanna Kaysen ainda não sou capaz de dizer se sou louca, se os outros são loucos ou se o mundo é que é louco....
Só tenho uma certeza: Não há lugar para mim (como sou) nesse mundo.
O mundo não me quer assim. E será que eu me quero assim? Será que ainda posso conviver comigo mesma?

Bem, por hora me sinto também uma garota interrompida.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Lexapro e álcool

Não recomendo!!!

Fiz a experiência e não foi nada bom...

Primeiramente o álcool fez efeito muito mais rápido que o comum.
Depois fiquei bastante alterada, lentidão motora e cognitiva. Não poderia dirigir, por exemplo.

Não pretendo mais fazer isso...

Loucura e Preconceito

Sim, apesar de ser politicamente incorreto, eu uso a palavra LOUCURA.
É exatamente assim que me sinto:

loucura
lou.cu.ra
sf (louco+ura2) 1 Estado de quem é louco. 2 Med Desarranjo mental que, sem a pessoa afetada estar ciente do seu estado, lhe modifica profundamente o comportamento e torna-a irresponsável; demência; psicose. 3 Ato próprio de louco. 4 Insensatez. 5 Aventura insensata. 6 Grande extravagância. 7 fam Alegria extrema, diabrura: Loucuras das crianças. 8 fam Propensão excessiva; mania: Loucura pelo futebol. 9 fam Despesa desproporcionada. Antôn (acepção 4): siso.


Dizer LOUCURA, LOUCO, DOIDO, é politicamente incorreto justamente pq existe preconceito. E, por esse motivo, a sociedade entende que essas palavras são "feias". Se tornam tabus.
É bem mais agradável que se diga "doença mental", "transtorno psicológico", "distúrbios".

Muitas vezes o indivíduo está tão enredado nessa sociedade hipócrita que se torna vítima de um auto-preconceito.

O indivíduo sente vergonha de seu estado emocional, vergonha de possuir alguma doença mental, vergonha de ir ao psiquiatra ou de comprar os remédios.
Muitos se isolam com medo de que os outros percebam seu estado alterado ou algo assim.
Entretanto, ninguém sente vergonha de dizer que sofre de asma ou que está com uma dor de dente.

Outras vezes o preconceito ocorre dentro de casa.
A família do indivíduo não consegue aceitar a doença e tenta fingir que o problema não existe ou passam a tratá-lo de forma distinta, muitas vezes até segregando-o.

Sim, o preconceito existe e está aí por todos os lados.

Quando fui diagnosticada com transtorno de personalidade fui vítima do meu próprio preconceito.
Imediatamente refutei o diagnóstico.
Atualmente é moda ser bipolar, ter depressão ou TOC, mas TP é algo que nunca tinha ouvido falar!
Ninguém sai espalhando por aí que tem TP. Acredito que justamente pq a sociedade - de modo geral - conhece mto pouco sobre TP e a falta de informação tbm ajuda a gerar o preconceito.

Hoje consigo lidar melhor com meu transtorno e com o preconceito das pessoas, além do meu próprio. E já estou tentando me acostumar a falar sobre...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A tragicomédia da consulta com o psiquiatra...



O psiquiatra: Aquele monstro frio que pensa que te conhece, pois no momento em que vc entra no consultório ele te encaixa em um padrão X ou Y. Faz as perguntas certas para ir eliminando as possibilidades, se vc tentar se alongar mto ele já vem com outra pergunta... E assim te rotula: “Doença X”.


Ela: Uma paciente que não queria ao psiquiatra de jeito nenhum, pois achava que seria constrangedor... Essa mesma paciente marca a consulta escondida e vai sem dizer a ninguém além da sua psicóloga. No fundo ela sabe que ir ao psiquiatra vai exigir que se abra e se exponha de forma profunda e rápida, sem rodeios. E ela não quer isso, mas sabe que precisa de ajuda.


O mais estranho é que por mais que o procedimento seja frio e calculado ele consegue penetrar no seu âmago. Consegue tirar de dentro das profundezas coisas que ela não quer falar. Muitas vezes a sensação é cruel... sensação de estar nua e revelada na frente daquele ser que tem pressa de terminar a consulta.


E então, como se ela estivesse pronta para ouvir qualquer coisa, ele vem de supetão com um diagnóstico alarmante: Transtorno de Personalidade.


Por um instante ela sente sua espinha gelar... e todo o resto de seu corpo se resfria. Ela está estática. Entretanto, em sua mente há um turbilhão de pensamentos descontrolados. Ela pensa que isso deve ser terrível.


Ele, por sua vez, está friamente fazendo anotações e prescrevendo uma medicação.


Ela continua imóvel, se sentindo perplexa e perdida. Será que não se conhece? Será que nunca quis ver a verdade? Será que ele está certo? E se estiver, o que fazer? O que será isso?

Ela fica estarrecida especialmente porque não conhece o problema. Imagina ser algo inimaginavelmente terrível.


Então, ela contesta o diagnóstico.


Ele explica por A + B porque ela tem TP.


Frustrada ela se cala e parte.

Marca um consulta com outro profissional para ter certeza do diagnóstico e a história se repete...


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Descobrindo o problema...

Quando ouvi que tinha um transtorno de personalidade meu chão caiu... perdi os alicerces.

Ao longo de minha vida sempre me achei perfeitamente normal, um pouco nervosa, às vezes sem nenhum motivo, um pouco instável, mas nada que merecesse atenção. No mais, considerava que os outros eram culpados por minhas alterações, explosões, até por meus problemas.

Pelo que consigo recordar desde a infância tive quadros de mudança repentina do humor, explosões, agressões.

Foi um logo caminho percorrido até que eu conseguisse, pela primeira vez, vislumbrar a hipótese de ter atitudes fora do normal ou dos padrões. Foi há cerca de um ano que minha visão começou a mudar... Depois de muito ouvir dos amigos que minhas atitudes não eram normais, pensei que talvez eu fosse mesmo uma pessoa muito nervosa. Mas, finalmente uma situação de agressão me fez parar e pensar seriamente a respeito.

Depois da agressão fiquei arrasada... dessa vez foi uma sensação muito ruim de descontrole e de ter errado. Nunca tinha percebido que tinha agido loucamente contra uma pessoa que não me fez nada de fato. Eu esperava algo, não deu certo, tive essa atitude de culpar o indivíduo por meus problemas.

Só então procurei ajuda de um psicólogo... Durante um tempo ele me pediu que procurasse um psiquiatra, pois achava que um remédio poderia me ajudar a lidar melhor com meus impulsos, mas eu sempre relutei, pois no fundo ainda achava que não tinha motivos pra isso. Até que...

Mais uma forte situação – dessas que me deixam cheia de culpa, vergonha e mal-estar depois – me levou a reconhecer que não poderia mais lutar sozinha.

Decidi que não queria mais ser daquele jeito... Ou melhor, decidi que não quero mais ser assim!!!

Além do tratamento com lexapro e psicoterapia estou tentando a acupuntura.

Finalmente entendi algumas coisas sobre os transtornos mentais – o que pretendo relatar em outros posts.

Descobrir que tenho um problema me fez perceber que preciso me conhecer. Às vezes tenho a sensação de que sou pessoa que eu menos conheço... Não consigo prever minhas reações, não consigo saber como agirei, nem como estarei daqui a 30 minutos. Mas, acredito que se conseguir me conhecer poderei me dominar...