domingo, 21 de novembro de 2010

Girl, interrupted

Um belo dia, trocando de canal me deparo com um filme que sempre quis assistir: Garota, Interrompida. Sabia que se passava num hospício, mas não sabia que a "garota" em questão sofria de transtorno de personalidade.
Assisti ansiosa cada cena, cada dia que ela passava naquele hospital e observei como parecia não melhorar nada, não mudar nada. Até que o suicídio de uma das colegas a faz perceber o que é preciso fazer para melhorar e sair dali.
Ironicamente, ela não achava que era louca ou que estivesse fazendo algo de errado. Não estava apenas fazendo algo transgressor para a época? Não estariam os outros querendo moldá-la com o molde do ser humano hipócrita e moralista? Ela apenas não aceitava agir como um robô programado... Ela era espontânea, tinha energia transbordando de dentro de si e era inteligente o suficiente para poder pensar com sua própria cabeça. Mas o mundo não estava preparado para recebê-la. Então, percebeu que se quisesse sair daquele lugar teria que dançar conforme a música. Dizer o que queriam ouvir, fazer as coisas certas na horas certas, agir de acordo com o protocolo e então reconquistar a sua liberdade.
Reconquistou a liberdade, entretanto jamais conseguiu compreender se reconquistara a tal sanidade que considerava nunca ter perdido.

Me identifiquei de tal forma com o filme que imediatamente comprei o livro...
Como ela eu nunca me entendi como uma pessoa louca... Sempre achei que era transgressora e as pessoas não eram capazes de me compreender presas em seus mundinhos estreitos e sufocantes. Ao contrário delas, eu era livre. Era livre pra pensar e agir como quisesse.
Como Suzanna Kaysen ainda não sou capaz de dizer se sou louca, se os outros são loucos ou se o mundo é que é louco....
Só tenho uma certeza: Não há lugar para mim (como sou) nesse mundo.
O mundo não me quer assim. E será que eu me quero assim? Será que ainda posso conviver comigo mesma?

Bem, por hora me sinto também uma garota interrompida.

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