quarta-feira, 3 de março de 2010

Lexapro e álcool

Não recomendo!!!

Fiz a experiência e não foi nada bom...

Primeiramente o álcool fez efeito muito mais rápido que o comum.
Depois fiquei bastante alterada, lentidão motora e cognitiva. Não poderia dirigir, por exemplo.

Não pretendo mais fazer isso...

Loucura e Preconceito

Sim, apesar de ser politicamente incorreto, eu uso a palavra LOUCURA.
É exatamente assim que me sinto:

loucura
lou.cu.ra
sf (louco+ura2) 1 Estado de quem é louco. 2 Med Desarranjo mental que, sem a pessoa afetada estar ciente do seu estado, lhe modifica profundamente o comportamento e torna-a irresponsável; demência; psicose. 3 Ato próprio de louco. 4 Insensatez. 5 Aventura insensata. 6 Grande extravagância. 7 fam Alegria extrema, diabrura: Loucuras das crianças. 8 fam Propensão excessiva; mania: Loucura pelo futebol. 9 fam Despesa desproporcionada. Antôn (acepção 4): siso.


Dizer LOUCURA, LOUCO, DOIDO, é politicamente incorreto justamente pq existe preconceito. E, por esse motivo, a sociedade entende que essas palavras são "feias". Se tornam tabus.
É bem mais agradável que se diga "doença mental", "transtorno psicológico", "distúrbios".

Muitas vezes o indivíduo está tão enredado nessa sociedade hipócrita que se torna vítima de um auto-preconceito.

O indivíduo sente vergonha de seu estado emocional, vergonha de possuir alguma doença mental, vergonha de ir ao psiquiatra ou de comprar os remédios.
Muitos se isolam com medo de que os outros percebam seu estado alterado ou algo assim.
Entretanto, ninguém sente vergonha de dizer que sofre de asma ou que está com uma dor de dente.

Outras vezes o preconceito ocorre dentro de casa.
A família do indivíduo não consegue aceitar a doença e tenta fingir que o problema não existe ou passam a tratá-lo de forma distinta, muitas vezes até segregando-o.

Sim, o preconceito existe e está aí por todos os lados.

Quando fui diagnosticada com transtorno de personalidade fui vítima do meu próprio preconceito.
Imediatamente refutei o diagnóstico.
Atualmente é moda ser bipolar, ter depressão ou TOC, mas TP é algo que nunca tinha ouvido falar!
Ninguém sai espalhando por aí que tem TP. Acredito que justamente pq a sociedade - de modo geral - conhece mto pouco sobre TP e a falta de informação tbm ajuda a gerar o preconceito.

Hoje consigo lidar melhor com meu transtorno e com o preconceito das pessoas, além do meu próprio. E já estou tentando me acostumar a falar sobre...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A tragicomédia da consulta com o psiquiatra...



O psiquiatra: Aquele monstro frio que pensa que te conhece, pois no momento em que vc entra no consultório ele te encaixa em um padrão X ou Y. Faz as perguntas certas para ir eliminando as possibilidades, se vc tentar se alongar mto ele já vem com outra pergunta... E assim te rotula: “Doença X”.


Ela: Uma paciente que não queria ao psiquiatra de jeito nenhum, pois achava que seria constrangedor... Essa mesma paciente marca a consulta escondida e vai sem dizer a ninguém além da sua psicóloga. No fundo ela sabe que ir ao psiquiatra vai exigir que se abra e se exponha de forma profunda e rápida, sem rodeios. E ela não quer isso, mas sabe que precisa de ajuda.


O mais estranho é que por mais que o procedimento seja frio e calculado ele consegue penetrar no seu âmago. Consegue tirar de dentro das profundezas coisas que ela não quer falar. Muitas vezes a sensação é cruel... sensação de estar nua e revelada na frente daquele ser que tem pressa de terminar a consulta.


E então, como se ela estivesse pronta para ouvir qualquer coisa, ele vem de supetão com um diagnóstico alarmante: Transtorno de Personalidade.


Por um instante ela sente sua espinha gelar... e todo o resto de seu corpo se resfria. Ela está estática. Entretanto, em sua mente há um turbilhão de pensamentos descontrolados. Ela pensa que isso deve ser terrível.


Ele, por sua vez, está friamente fazendo anotações e prescrevendo uma medicação.


Ela continua imóvel, se sentindo perplexa e perdida. Será que não se conhece? Será que nunca quis ver a verdade? Será que ele está certo? E se estiver, o que fazer? O que será isso?

Ela fica estarrecida especialmente porque não conhece o problema. Imagina ser algo inimaginavelmente terrível.


Então, ela contesta o diagnóstico.


Ele explica por A + B porque ela tem TP.


Frustrada ela se cala e parte.

Marca um consulta com outro profissional para ter certeza do diagnóstico e a história se repete...


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Descobrindo o problema...

Quando ouvi que tinha um transtorno de personalidade meu chão caiu... perdi os alicerces.

Ao longo de minha vida sempre me achei perfeitamente normal, um pouco nervosa, às vezes sem nenhum motivo, um pouco instável, mas nada que merecesse atenção. No mais, considerava que os outros eram culpados por minhas alterações, explosões, até por meus problemas.

Pelo que consigo recordar desde a infância tive quadros de mudança repentina do humor, explosões, agressões.

Foi um logo caminho percorrido até que eu conseguisse, pela primeira vez, vislumbrar a hipótese de ter atitudes fora do normal ou dos padrões. Foi há cerca de um ano que minha visão começou a mudar... Depois de muito ouvir dos amigos que minhas atitudes não eram normais, pensei que talvez eu fosse mesmo uma pessoa muito nervosa. Mas, finalmente uma situação de agressão me fez parar e pensar seriamente a respeito.

Depois da agressão fiquei arrasada... dessa vez foi uma sensação muito ruim de descontrole e de ter errado. Nunca tinha percebido que tinha agido loucamente contra uma pessoa que não me fez nada de fato. Eu esperava algo, não deu certo, tive essa atitude de culpar o indivíduo por meus problemas.

Só então procurei ajuda de um psicólogo... Durante um tempo ele me pediu que procurasse um psiquiatra, pois achava que um remédio poderia me ajudar a lidar melhor com meus impulsos, mas eu sempre relutei, pois no fundo ainda achava que não tinha motivos pra isso. Até que...

Mais uma forte situação – dessas que me deixam cheia de culpa, vergonha e mal-estar depois – me levou a reconhecer que não poderia mais lutar sozinha.

Decidi que não queria mais ser daquele jeito... Ou melhor, decidi que não quero mais ser assim!!!

Além do tratamento com lexapro e psicoterapia estou tentando a acupuntura.

Finalmente entendi algumas coisas sobre os transtornos mentais – o que pretendo relatar em outros posts.

Descobrir que tenho um problema me fez perceber que preciso me conhecer. Às vezes tenho a sensação de que sou pessoa que eu menos conheço... Não consigo prever minhas reações, não consigo saber como agirei, nem como estarei daqui a 30 minutos. Mas, acredito que se conseguir me conhecer poderei me dominar...

O que é Doença Mental???


O que é Doença Mental?
Popularmente há uma tendência em se julgar a sanidade da pessoa, de acordo com seu comportamento, de acordo com sua adequação às conveniências sócio-culturais como, por exemplo, a obediência aos familiares, o sucesso no sistema de produção, a postura sexual, etc.

Medicamente, entretanto, Doença Mental pode ser entendida como uma variação mórbida do normal, variação esta capaz de produzir prejuízo na performance global da pessoa (social, ocupacional, familiar e pessoal) e/ou das pessoas com quem convive. A Organização Mundial de Saúde diz que o estado de completo bem estar físico, mental e social define o que é saúde, portanto, tal conceito implica num critério de valores (valorativo), já que, lida com a idéia de bem-estar e mal-estar.

Como posso saber o que é e o que não é normal em psiquiatria?
Quem é louco ou quem é normal é um assunto que tem estimulado discussões infindáveis. Muitas vezes as pessoas afirmam, num desabafo e por razões pejorativas, que “fulano é louco”. Fazem isso não com intenção de atribuir um diagnóstico, como fariam com outra doença, como por exemplo “fulano é diabético”, mas com intenções francamente ofensivas.vezes, de acordo com certas conveniências, as pessoas lançam mão da retórica cansativa sobre a impossibilidade de rotular-se alguém de louco, uma vez que a definição do normal é imprecisa. Mas isso é mentira.

Pelo critério estatístico, normal seria o mais freqüente, numericamente definido, aquilo que é compatível com a maioria. Em medicina, de um modo geral, ao se estabelecer a dosagem normal de glicose no sangue das pessoas, verificou-se a média das dosagens num grupo de indivíduos tomando-a como padrão de normalidade. Da mesma forma como se fez com tantos outros parâmetros antropológicos de normalidades: pulsação, tensão arterial, correspondência peso-altura, duração do ciclo menstrual, acuidade visual, etc.

Este critério estatístico tem um valor complementar e deve servir apenas como um parâmetro de não-normalidade, mas não significa, obrigatoriamente, doença. O termo DOENÇA, por sua vez, implica sempre em prejuízo e morbidade, portanto, precisamos, depois de utilizarmos o critério estatístico, do chamado critério valorativo.

A gravidez de gêmeos, por exemplo, embora não seja estatisticamente normal, jamais poderá ser considerada doença porque lhe falta o critério valorativo.Pelo critério valorativo podemos considerar que, em não havendo prejuízo ao indivíduo, ao seus semelhantes e ao sistema sócio-cultural, toda tentativa de destacar-se dos demais deverá ser sadia e desejável. Interessa, ao critério valorativo, o VALOR que o sistema sócio-cultural atribui à maneira do indivíduo existir. Mas podemos confundir este valor, o qual emana do sistema sócio-cultural, como sendo uma pretensa e exclusiva atribuição tirânica de fiscalização das normas, como sugere o discurso da antipsiquiatria, devemos considerar o sistema sócio-cultural como alguma coisa muito abrangente; os valores abrangem desde as concepções éticas, estéticas, morais, até as concepções científicas e fisiológicas que este mesmo sistema reconhece como válidos.

As Doenças Mentais têm “cura” ou só podemos falar em controle?
As Doenças Mentais têm cura tanto quanto as doenças da cardiologia, da endocrinologia, da reumatologia, da neurologia e assim por diante. A medicina tem como primeira obrigação definir se a pessoa que a procura É ou ESTÁ doente. Se estiver doente, a possibilidade de cura definitiva é enormemente maior do que nos casos da pessoa ser doente.

Citamos outras especialidades médicas para que se compare os problemas da psiquiatria com, por exemplo, a hipertensão arterial; quando, exatamente, podemos falar em cura da hipertensão arterial? Quando, exatamente, podemos falar em cura da diabetes?... do reumatismo?... da asma?...
, podemos ver que a medicina está cheia de situações onde, felizmente, podemos controlar a pessoa portadora de alguma doença para que viva o mais próximo possível do normal. Em outros casos podemos falar em cura, como por exemplo, na pneumonia (e outras infecções), na cólica de rins, na diarréia... etc. São situações onde a pessoa ESTÁ doente.
Doenças Mentais mais atreladas à maneira da pessoa ser, mais inerentes à sua personalidade, podem ser muito bem controladas pela psiquiatria, enquanto as situações reativas, onde a pessoa apresenta uma alteração repentina em seu psiquismo, podemos falar mais facilmente em cura definitiva.

Fonte:http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=230

O que é Transtorno de Personalidade???


Os transtornos de personalidade afetam todas as áreas de influência da personalidade de um indivíduo, o modo como ele vê o mundo, a maneira como expressa as emoções e o comportamento social. Caracterizam um estilo de vida mal adaptado, inflexível e prejudicial a si próprio e/ou aos conviventes.

A personalidade é definida pelos traços emocionais e de comportamento de um indivíduo. O comportamento final de uma pessoa é o resultado de todos os seus traços de personalidade e o que diferencia os indivíduos é a amplitude e intensidade com que cada traço é apresentado.

Geralmente aparece na adolescência ou no início da idade adulta e permanecem pela vida toda se não tratados.

A Organização Mundial de Saúde trata o assunto sob o titulo de Transtornos da Personalidade e de Comportamentos, especificando-os nos títulos de F60 até F69 na Classificação Internacional das Doenças (CID-10). Descreve tais transtornos da seguinte maneira:

“Estes tipos de condição (Transtornos de Personalidade) abrangem padrões de comportamento profundamente arraigados e permanentes, manifestando-se como respostas inflexíveis a uma ampla série de situações pessoais e sociais. Eles representam desvios extremos ou significativos do modo como o indivíduo médio, em uma dada cultura, percebe, pensa, sente e, particularmente, se relaciona com os outros. Tais padrões de comportamento tendem a ser estáveis e a abranger múltiplos domínios de comportamento e funcionamento psicológico. Eles estão freqüentemente, mas não sempre, associados a graus variados de angústia subjetiva e a problemas no funcionamento e desempenho sociais”.

F60 Transtornos específicos da personalidade F60.0 Personalidade paranóica

Transtorno da personalidade caracterizado por uma sensibilidade excessiva face às contrariedades, recusa de perdoar os insultos, caráter desconfiado, tendência a distorcer os fatos interpretando as ações imparciais ou amigáveis dos outros como hostis ou de desprezo; suspeitas recidivantes, injustificadas, a respeito da fidelidade sexual do esposo ou do parceiro sexual; e um sentimento combativo e obstinado de seus próprios direitos. Pode existir uma superavaliação de sua auto-importância, havendo freqüentemente auto-referência excessiva.

Personalidade (transtorno da):

· expansiva paranóide

· fanática

· paranóide

· querelante

· sensitiva paranóide


F60.1 Personalidade esquizóide

Transtorno da personalidade caracterizado por um retraimento dos contatos sociais, afetivos ou outros, preferência pela fantasia, atividades solitárias e a reserva introspectiva, e uma incapacidade de expressar seus sentimentos e a experimentar prazer.


F60.2 Personalidade dissocial

Transtorno de personalidade caracterizado por um desprezo das obrigações sociais, falta de empatia para com os outros. Há um desvio considerável entre o comportamento e as normas sociais estabelecidas. O comportamento não é facilmente modificado pelas experiências adversas, inclusive pelas punições. Existe uma baixa tolerância à frustração e um baixo limiar de descarga da agressividade, inclusive da violência. Existe uma tendência a culpar os outros ou a fornecer racionalizações plausíveis para explicar um comportamento que leva o sujeito a entrar em conflito com a sociedade.

Personalidade (transtorno da):

· amoral

· anti-social

· associal

· psicopática

· sociopática


F60.3 Transtorno de personalidade com instabilidade emocional

Transtorno de personalidade caracterizado por tendência nítida a agir de modo imprevisível sem consideração pelas conseqüências; humor imprevisível e caprichoso; tendência a acessos de cólera e uma incapacidade de controlar os comportamentos impulsivos; tendência a adotar um comportamento briguento e a entrar em conflito com os outros, particularmente quando os atos impulsivos são contrariados ou censurados. Dois tipos podem ser distintos: o tipo impulsivo, caracterizado principalmente por uma instabilidade emocional e falta de controle dos impulsos; e o tipo “borderline”, caracterizado além disto por perturbações da auto-imagem, do estabelecimento de projetos e das preferências pessoais, por uma sensação crônica de vacuidade, por relações interpessoais intensas e instáveis e por uma tendência a adotar um comportamento autodestrutivo, compreendendo tentativas de suicídio e gestos suicidas.

Personalidade (transtorno da):

· agressiva

· “borderline”

· explosiva


F60.4 Personalidade histriônica

Transtorno da personalidade caracterizado por uma afetividade superficial e lábil, dramatização, teatralidade, expressão exagerada das emoções, sugestibilidade, egocentrismo, autocomplacência, falta de consideração para com o outro, desejo permanente de ser apreciado e de constituir-se no objeto de atenção e tendência a se sentir facilmente ferido.

Personalidade (transtorno da):

· histérica

· psicoinfantil


F60.5 Personalidade anancástica

Transtorno da personalidade caracterizado por um sentimento de dúvida, perfeccionismo, escrupulosidade, verificações, e preocupação com pormenores, obstinação, prudência e rigidez excessivas. O transtorno pode se acompanhar de pensamentos ou de impulsos repetitivos e intrusivos não atingindo a gravidade de um transtorno obsessivo-compulsivo.

Personalidade (transtorno da):

· compulsiva

· obsessiva

· obsessiva-compulsiva


F60.6 Personalidade ansiosa [esquiva]

Transtorno da personalidade caracterizado por sentimento de tensão e de apreensão, insegurança e inferioridade. Existe um desejo permanente de ser amado e aceito, hipersensibilidade à crítica e a rejeição, reticência a se relacionar pessoalmente, e tendência a evitar certas atividades que saem da rotina com um exagero dos perigos ou dos riscos potenciais em situações banais.


F60.7 Personalidade dependente

Transtorno da personalidade caracterizado por: tendência sistemática a deixar a outrem a tomada de decisões, importantes ou menores; medo de ser abandonado; percepção de si como fraco e incompetente; submissão passiva à vontade do outro (por exemplo de pessoas mais idosas) e uma dificuldade de fazer face às exigências da vida cotidiana; falta de energia que se traduz por alteração das funções intelectuais ou perturbação das emoções; tendência freqüente a transferir a responsabilidade para outros.

Personalidade (transtorno da):

· astênica

· inadequada

· passiva


F60.8 Outros transtornos específicos da personalidade

Personalidade:

· excêntrica

· imatura

· narcísica

· passivo-agressiva

· psiconeurótica

· tipo “haltlose”


F60.9 Transtorno não especificado da personalidade

Neurose de caráter SOE

Personalidade patológica SOE

Por que United States???

Já ouviu falar no seriado United States of Tara? Pois é, um tanto quanto caricato, transformando em comédia as aflições de quem possui transtorno de personalidade. Contudo, o nome me parece bastante adequado... É exatamente essa a sensação que tenho: De que tenho um universo dentro de mim.

E por que escrever um blog?

Porque percebi que há muitas coisas dentro de mim que preciso explicitar, mas não posso ficar sempre alugando os ouvidos de meus amigos... e ainda, porque sinto que preciso trocar experiências com outras pessoas que tenham o mesmo problema.
Esse será um espaço para poder compartilhar aflições, sonhos, medos, esperanças, dicas, informações...